terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

BILL SHAKESPEARE, UM REINO E UM CAVALO


"Meu reino por um cavalo!", eis a frase conhecida por muitos. Mas... quem a disse e por qual razão?

Com esta introdução, te convido a assistir um documentário, no mínimo, bem informativo e, no máximo, diferentemente interessante. Pois bem, Al Pacino produziu um brilhante filme sobre a clássica história de Ricardo III, escrita em 1592 pelo dramático William Shakespeare, nosso famoso Bill, em que aborda poder, cobiça e traição.

Pacino fez sua filmagem, revelando os bastidores e todo o processo criativo de composição da peça/documentário.

Pois bem, vi Hamlet há séculos e hoje, ao assistir Ricardo III, tendo uma nova carga de avaliação crítica, desejei entender alguns quesitos e requisitos e gostaria muito da ajuda dos que melhor conhecem a obra de Bill:

1 - Shakespeare sempre foi representado por ingleses. É dito que atuam melhor quando se trata do autor inglês, principalmente por causa da pronúncia que dá aos ingleses uma certa "vantagem" ao declamá-lo. Xenofobias à parte, e até considerando que sou filha de inglês, repenso se isto não seria também um certo capricho ou preconceito britânico em busca de uma perpétua superioridade na representação das obras shakespearianas.

Claro que é preciso alguma experiência e habilidade especial para alguém fluente em inglês ler e dominar completamente os textos de Bill. Assim sendo, talvez os anglófonos (aqueles que falam inglês), de um modo geral, estão em pé de igualdade para lidar com Bill.

Um exemplo que demonstra esta "perda" de direitos de primogêntio sobre a língua nativa é que a Irlanda, cuja identidade cultural está mais ligada ao gaélico, do ramo celta, que ao inglês, do ramo anglo-saxão, produziu Oscar Wilde, Bernard Shaw, James Joyce, Samuel Becket, chegando a ser, ao final do século 19 e início do século 20, o maior celeiro de grandes autores anglófonos.

2 - Há um método do autor que percebo sonoricamente confuso e obviamente complicado: o pentâmetro jâmbico. Todas suas peças foram escritas neste estilo de narrativa. Ok, penta quer dizer cinco; metro, medida e jâmbico é onde vai a sílaba tônica. Ou seja, o pentâmetro jâmbico é um modo específico de se dizer o texto, em que cada verso é lido num fôlego de cinco partes, dando-se maior ênfase nas últimas sílabas de cada palavra que constitui o pentâmetro. Logo, o som assemelha-se a um sobe e desce constante. Mas como alguém pode ter inventado algo tão difícil? Os dramas de Bill seriam os mesmos sem esta técnica?

Certamente, minha sensibilidade consegue perceber a importância desta cadência que faz com que sentimentos agudos e graves, positivos e negativos ganhem oscilações na interpretação do texto, o que acho muito criativo. Mas, é daí? Como isto foi criado, o que se ganha ou perde com esta técnica?

O próprio Al Pacino comprova a eficácia do pentâmetro ao encenar cenas com e sem o uso da técnica. E quem dá um show de sensacional interpretação neste sentido é a atriz inglesa e shakespeariana Vanessa Redgrave, obviamente por sua herança familiar profundamente dedicada e enraizada no teatro. Na verdade, a história dos Redgraves é a história do teatro londrino, ligado umbilicalmente a este há mais de 150 anos.

Enfim, esta aplicação no drama me surpreende e confesso que não consigo identificar facilmente, muito menos, exercitar em nossa língua (rs). Talvez seja por isto que ingleses julgam que americanos, por não estudarem tanto esse método, declamam Shakespeare de modo errado, reduzindo a qualidade dramática do texto. Mas, o que dizer dos brasileiros, aqueles que bem estudam e interpretam as obras de Bill?

Sim, é inegável que a história da literatura inglesa seria diferente sem Shakespeare e que legados como de Chaucer (que nunca li) e de Dickens (que gosto demais) têm seu valor, mas realmente Bill foi o mais completo e grande influenciador. Ele foi para o inglês o que Dante significou para o idioma italiano e, em nosso caso, Camões para o português, um consolidador.

Diante destes questionamentos sobre vantagens, direitos e virtudes, seja ou não de anglófobos, desejo que todos possam "fumar o cachimbo da paz" na perpetuação do trabalho de Bill.

E vivam os irlandeses, bardos, ingleses... Viva Shakespeare!

Mas quem disse a frase mencionada no início deste texto foi o próprio Ricardo III. Por que? Veja o filme e descubra. (rsrsrs)

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