segunda-feira, 22 de junho de 2009

Pedras que se comem


Dura coisa é manter a fé
Fazer valer a coragem
Não desistir
Escolher o caminho estreito
Preferir a ética e permanecer com o caráter.

Dura coisa é continuar firme
Saber andar no salto alto
Conseguir discernir joio e trigo
Estar sorrindo sem dinheiro no bolso
Sem colo, sem porto seguro.

Dura coisa é não retroceder
Permanecer com opinião própria
Ter o que produzir quando a mente é solo confuso
Tentar de novo, recomeçar
Cavar forças no profundo desconhecido
Aventurar-se.

Dura, sim, muito dura coisa
É crer sem ver
Arriscar-se e ir
Ousar sem saber
Confiar e apenas esperar.

Muito duro é controlar-se
Olhar em volta e procurar
Não ver e pensar que viu
Pensar que não viu, mas... acabar vendo
Deixar o que ficou para trás
Celebrar o futuro incerto
E... simplesmente soltar-se no presente.

É tão duro como pedras que se engolem.
Descem pela garganta até o estômago.
Ali ficam, ali se transformam.
Criam estruturas, alicerces, talvez.

Devem servir para algo.
Para recompensas.
Que recompensas? Para quando, aonde?

Duro é não entender.
Ficar só e ouvir a si mesmo.
Fazer valer o mistério dessa vida.

Duro, mas inevitável, necessário.
É como abrir a porta sem expectativas
E permitir-se reviver!

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