Melhor do que quebrar pedreirasMelhor do que comer pedras
É ter intimidade com Deus
Ficar cara a cara
Deixar de falar "Senhor"
E falar "Pai"
Pai a gente respeita, mas desrespeita
Sente falta, cobra, quer mimo
Se Deus é pessoal, Ele está perto
E de perto Ele escuta tudo
Minhas reclamações, frustrações
Perplexidades, anseios...
Chuto o balde, o pau da barraca
Abro o jogo, ponho pra fora
Coloco as cartas sobre a mesa
E detono!
Aí lembro do discurso de Deus com Jó
Da santidade de Paulo
Do poder de Elias
Da porção dobrada de Eliseu
E do próprio Jesus e sua solidão no Getsemani
Quem sou eu?
Sou filha conhecida desde o ventre de minha mãe
Com direito a promessas, heranças...
Principalmente, com acesso ao diálogo
Franco e direto, nem sempre exercido
Mas quando até os ossos gemem
É preciso ser como Davi
Chorar, desabafar e cantar seu salmo
Deus não me estranha
Ele me sonda
E eu me recolho apenas
Sou injusta, pois me queixo
Torno-me mais humana
Bato os pés e grito
Ele ainda está comigo!
E a relação se amplia
Transforma-se em cumplicidade
Prazer de compartilhar
Certeza do que Ele é, simplesmente
Dói!
Sinto-me espremida
Apática, desguarnecida
Mas Ele está lá
E há um bálsamo que cai
Tal qual uma canção bem alta
Que penetra em todos os buracos de minha alma
É derramada mente abaixo
Supre!
Deus é isso
O Pai, o Amigo, o Cara presente
Que ouviu tudo o que eu disse
Meus palavrões, frases ferozes
E ficou em silêncio
Sem obrigação de responder
De sequer dar ou satisfazer
O dia vem depois da noite
A noite, bem ou mal, se repete
Enquanto eu durmo, Ele trabalha
Eu vivo e sou suportada
Sim, tenho suporte
Nada sei, nada conheço
Porque temo sua soberania
Ela é plena e eficaz
Agora me calo
E nada ouço
Lembro apenas do texto como se fosse música
"Porque nem olhos viram nem ouvidos ouviram
Aquilo que Deus tem preparado
Para aqueles que o amam"
Não acho que basta
Mas preciso acreditar que sim
Que Sua graça faça todo sentido!
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