Passados tantos anos, tive o privilégio de assistir Arthur Moreira Lima na semana passada e ouvir "Um piano pela estrada", seu projeto cultural que viaja por todo o país. Sentada diante de seu palco, em plena Petrópolis, no Palácio de Cristal, friozinho bacana, público atento, usufrui bem mais do que de um simples espetáculo musical e, neste caso, popular.
O cara toca piano desde os seis anos e aos nove pôde tocar um concerto de Mozart com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Há quem o chame de "O Pelé do piano". E também é considerado extraordinário intérprete do grande repertório romântico, interessado no resgate e difusão das raízes culturais brasileiras, ganhador de diversos prêmios e participante de Filarmônicas por todo mundo. Até aí todo mundo sabe!
Mas, apenas vendo-o ao piano, percebi que Arthur não é sinfônico, mas filarmônico, amigo e amante da música. Por isto, está na estrada. Não se percebe que toque por dinheiro, mas por emoção à arte. Por isto, vai até onde o povo está e divide suas teclas com todos: pobres, ricos, sábios, indoutos, avermelhados e branquelos, de pouca e muita idade...
Perguntei a ele: "Qual seria o próximo destino?" "Belém", respondeu. "Lá estarei depois de amanhã". Tirei uma foto, comprei seu CD e sai pensativa. Mas de onde vem a força que faz um homem de quase 80 anos se meter em cidades distantes durante todo o ano?
Vi o Caminhão Teatro. Desde 2003, completou quase 300 apresentações, levando cultura a mais de meio milhão de pessoas, em mais de 100 mil km de percurso. Neste ano que termina, seu roteiro foi "Brasil Sertões", completando 60 concertos no Norte e Nordeste. Sem esquecer dos mais carentes e ainda oferecendo palestras educativas sobre prevenção, saúde geral e bucal, higiene e aplicação de flúor, sob a direção de odontólogas especializadas, no projeto "Um Sorriso Pela Estrada". Afinal, sua esposa é uma dentista.
Arthur não é crente, não carrega nenhuma bandeira religiosa, política ou seja lá o que for. Apenas toca! Transpira, transmite, transpassa, transforma. Parece que perde muitos quilos naquela performance apaixonada, se desgasta e dá tudo de si.
Fim do espetáculo! Sobra pouco dele no homem de semblante cansado e sobra muito dele na gente de alma e ouvidos satisfeitos.
Um piano. Simplesmente, um piano, um ser filarmônico e uma estrada.
Você conhece algum ser evangélico que faça isto com sua música??? Conte para mim, pois preciso saber.
Olá!!!
ResponderExcluirAcho legal o blog como exercíco e forma de troca de idéias e discussões. Eles serão o veículo do futuro. Tanto que tenho dois blogs: o Palavras Certas (http://certas.blogspot.com) e o Painel Cristão (http://painelcristão.blogspot.com). Embora esteja parados no momento, por falta de tempo, tem algumas dicas interessantes. Até o final deste ano, prometo postar algo no lá. Um dos meus pedidos para o Papai Noel foi ter mais tempo para me dedicar a eles. Parabéns pela iniciativa.
PS: Eu mandei um e-mail par você.
Uilians Uilson Santos