Era uma tarde de domingo.
Sou rodeada de vizinhos barulhentos
Não reclamo. Eles fazem festa e eu absorvo a alegria ao redor.
Sempre digo que melhor o exagero do riso do que da briga.
Mas minha casa estava vazia. Nela, apenas o som dos meus pensamentos.
E a cara feia do meu inconformismo. Sim, estava chateada.
Com pimenta nos olhos, com gosto de azedo na boca.
Se eu não pensasse tanto, não teria tantos problemas.
Talvez, me conformasse mais, me acostumasse mais com certas coisas.
Costumo dizer que pessoas mais simples são mais felizes. Simples de coração, de raciocínio... Sem tanto pensar, sem muito esperar, exigir, questionar.
Mas sou complexa. Certamente, complicada demais como muita mulher.
Aí, um grande amigo me disse: “Se você descomplicar perde a graça!” Graça pra quem? (rs)
Incrivelmente, não abro mão de ser mulher nem tão pouco de minha complexidade, seja feminina ou individual.
Adoro pensar! Deixe-me, pois, com meu inconformismo, com minha discordância, que só me ajudam a não me acostumar.
Porque tem gente que se acostuma. Ora facilmente, ora aos poucos, ora sem perceber, ora sei lá como. ...
A mesmice, a mediocridade, o vazio, o silêncio, a miopia emocional e outros integrantes do cast underground acabam virando costume. E o sapo vai sendo cozido lentamente, contentando-se com a temperatura quentinha da água, até que seja também fervido.
Portanto, assumi meu momento “de mal comigo” e me lembrei de que “o cão quando não aguenta mais suas pulgas, livra-se delas num só sacolejo”, dizia o poeta Raul Seixas.
Liguei minha pick-up, coloquei um vinil, aumentei o som... Fui exorcizando aquela sensação de “eu não mereço”.
Girei pela casa, feito bailarina compulsiva, me olhei no espelho... Fui expelindo cada nota desafinada de dentro de mim.
Gritei por Cristo, senti meu esqueleto estalando, dei de cara com o “vale de ossos secos”... Fui sendo reconstruída, restaurada por dentro tal qual a promessa bíblica vista por Ezequiel.
Deixei a água escorrer cabeça abaixo, misturei lágrimas com gotas do chuveiro... Fui espantando cada fantasma, antes poderosos, vingativos, mesquinhos, impacientes.
Aleluia! Estou viva! Posso fazer tudo isso acontecer.
Recebo consultoria gratuita de Deus e ainda possuo seu GPS.
Sendo assim, basta de “muro das lamentações”. Que venham as revoluções!
Seres pensantes, inconformem-se!!!
O resultado é processo, não finalização.
O ganho é mudança, jamais reclamação.
E se “life is a limon and you want your money back”, negocie!
Tardes de domingo ganharão um novo sentido.
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