
Disseram-me que eu não podia ser Flamengo.
Que era preciso entrar na fila para aguardar vaga.
Disseram-me que eu não era mesmo Flamengo.
No máximo, era Flamenguista.
Como se alguém fosse dono do clube.
Como se o Flamengo limitasse sua torcida e membresia.
Como se um muçulmano não pudesse converter-se ao Cristianismo.
Eu não poderia ser Flamengo. (rs)
No entanto, me converti ao Flamengo, mas não por surto.
Foi aos poucos...
Lentamente, o timão foi entrando em mim.
Era por causa do grito da minha amiga Daiane.
Era observando a fé de Seu Vicente, meu ex-sogro.
Era por causa do meu filho, Flamengo desde nascença.
Era por causa dos papos alegres dos Flamenguistas no meu trabalho.
Era por causa da vibração da torcida quando via o Romário.
Era por causa do meu próprio carro, gigante Flamenguista.
Era por causa de algo que eu não sabia que existia.
Quando o Flamengo se apossou de mim, eu já era bem adulta.
Mas não sabia o nome de todos os jogadores nem a classificação do clube.
Nada importava.
Já era tarde para desistir e vesti minha alma de rubro-negro.
Aí o Flamengo virou hexa-campeão, mesmo contra as expectativas.
E mesmo respeitando a garra do Fluminense.
Ou lamentando pelo Botafogo que eu pensava ser.
Descobri um novo sentimento em mim.
E amei!
Percebi que marra de jogador é inspiração.
Muitos deles trocam de clube, mas permanecem Flamengo.
Mas é na hora do gutz, da briga, do ataque que a gente aprende a identificar quem é quem.
Vi que torcer pelo Flamengo é uma vocação.
Nata ou adquirida.
Conclui que não preciso saber tudo.
Apenas ser e torcer.
Somente deixar fluir a vibração do Flamengo.
E cantar: Ohhhh! Dá-le, dá-le, dá-le, ohhh... Mengão do meu coração!
Impossível ficar imune.
Ontem fui fazer um tour pelo Maracanã com meus filhos.
Fiquei no meio daquele estádio vazio, bonito, enorme, colorido.
E só fiquei imaginando a urubuzada incontida na ala esquerda do grande cenário.
O Maraca não faz muito sentido sem ela.
Os jogos não devem ter graça sem o Flamengo.
Sonhei em vermelho e preto.
Hoje sou uma simples amante do Flamengo.
Principiante, ignorante, mais uma na multidão.
Mas o timão me aceita assim mesmo.
E me brinda!
No próximo jogo estarei lá no meio da torcida.
Seja como Flamenguista, Flamengueira ou Flamengo...
Vou com meu time pra galera.
Mengão do meu coração!
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