
O vento ainda bate forte.
Mas hoje resolvi voltar a cantar.
Preciso lembrar de que já nasci cantando.
Acho que enquanto meu pai assoviava, eu, menina, cantava (rs).
Voltei no tempo e dei de cara com imperdíveis lembranças.
Vivi em corais, em cantatas, em ensaios... por mais de 15 anos.
Certa vez, apresentamos a mesma cantata doze vezes.
Sejam em viagens, ocasiões especiais.
Éramos um imenso coral de jovens.
E eu era ainda adolescente quando entrei.
Adorava ouvir "a passagem" da música com outros naipes de voz.
Eu era soprano, a melodia.
Mas queria sentir os contraltos, baixos e tenores.
Lembrei-me também das aulas de canto.
Das vocalises com a professora Arlete Candian ao piano.
Eu tinha extensão de voz para o agudo e para o grave.
E ao cantar em italiano, achava que seria cantora lírica (rs).
Fiquei com o primeiro soprano.
E aí chegou o Grupo Seis na minha vida.
Passei em uma seleção e ganhei mais música.
Éramos cinco. O primeiro do grupo era Ele, Jesus.
Parecia um Quarteto em Cy, mas não era.
Simplesmente, éramos moças cantando.
Mas foi uma década repleta.
De notas musicais, cansaço, ensaios constantes, adaptações.
De viagens, repertórios, consciência espiritual e emocional...
Eudes Jansen era nosso maestro, depois de anos, veio Almir Navojin.
Eu amava cantar: nos ensaios, diante do público.
Sempre dava aquele "frio na barriga".
Mas a harmonia era significativa.
Assim, gravamos um disco, um LP duplo.
Fomos para São Paulo e colocamos voz em um único final de semana.
Vieram gravações em programas de TV, seções de fotos, apresentações maiores...
Aprendemos a montar o som, a enrolar fios e guardar microfones, a checar retorno e níveis de voz.
Mas, éramos apenas moças cantando.
Os convites aumentaram...
Certa vez, um empresário nos procurou.
Era época dos CDs e a proposta foi um contrato surpreendente.
Rejeitamos!
Ninguém queria ser artista, ganhar dinheiro com aquilo.
Muito menos ter fama, agenda lotada e por aí vai (vocês sabem!).
Cada uma tinha sua faculdade, sua meta de vida.
Cantar era apenas louvar e... cantar!
Aliás, minha referência naquele tempo era o Quarteto Vida.
Outro grupo de meninas de Minas. Sensacionais!
Vivíamos nos primórdios dos conjuntos femininos.
Depois vieram os outros.
Havia um ônibus/casa.
Com cozinha, beliches, dois banheiros, uma cama enorme no fundo e muito espaço.
Nele viajamos por vários locais do país.
Formamos uma família: motorista, maestro, técnicos, suas esposas e... nós.
Foi uma fase ótima. E viva a logística!
Locomoção, praticidade, alimentação, banho, repouso...
E como ainda não existiam maridos, ficávamos livres para viajar.
Tudo foi válido, mágico e edificante.
Hoje todas nós temos nossa profissão, uma carreira própria, uma família.
Continuamos amigas como se nada tivesse mudado.
Ainda nos vemos e nos ajudamos.
Já voltamos a cantar em algumas oportunidades.
Confesso que é preciso ensaiar mais (rs).
Mas só ficou coisa boa.
Há algo, no entanto, que eu jamais poderia esquecer.
A gente sempre tem uma história especial guardada.
Foi em São Paulo, em um festival de música.
Deviam ter umas cinco mil pessoas, talvez.
Fomos convidadas como participação especial.
Já tínhamos cantado em igrejas, barzinhos, acampamentos, praças.
Em ginásios, casas de festa, praias e até em cima de caminhões...
Mas, ali, primeira vez, o público aplaudiu.
E... ficou de pé.
Todo o auditório levantou-se e nos aplaudiu por longo tempo.
Foi uma surpresa, a melhor recompensa, a melhor visão que alguém pode ter.
Nunca havia acontecido. Era muita emoção.
Gratidão a Deus que fazia parte do grupo.
Afinal: "Sem mim, nada podeis fazer", suprema verdade.
O melhor de tudo é que éramos apenas moças cantando.
E cantar, como disse, era apenas louvar.
Eis o segredo...
Saudades de vocês, meninas.
Saudades de nosso canto.
Saudades do Grupo Seis.
Nenhum comentário:
Postar um comentário