
Escrever me cura
Eu não sabia, mas agora sei
Antes tarde que nunca
Há salvação para mim
Seja para o que há de bom
Seja para o que há de ruim.
Dançar também me cura
Quando deslizo pelo chão de casa
Mesmo quando sozinha
Ou ainda quando danço com alguém
Minha coreografia vai me sarando.
Percussão também me cura
A que faço a toda hora
Quando batuco na mesa
Ou com batidas nas próprias coxas
No compasso dos meus pés
Na bateria imaginária
Vou sendo curada.
Ficar de joelhos me cura mais ainda
Diante da cama, em qualquer lugar
Sem ser ritual islâmico
Apenas me prosto, mostro as vísceras a Deus
Assim recebo a cura.
Beijar também me traz cura
Na boca ou nos filhos que amo
Vou sendo transformada
Torno-me de carne e osso
Não mais apenas alma
Por isso, sou amavelmente curada.
Cavalos me curam
Golfinhos e baleias me curam
Livros me curam
A imensidão do mar me cura
O poder dos animais me cura
A soberania da natureza me cura...
Sim, não acredito em pessoas sãs
Principalmente hoje em dia
De perto, ninguém é normal
Já dizia o Caetano e... acertou
Sendo assim, faça-me o favor
Não venha me dizer que sou louca sozinha (rs)
A diferença é que para alguns há cura
Para outros não, jamais.
Sua loucura é a loucura dos sensíveis e não a loucura dos frágeis. E só por isso você se cura. Deus te observa, te protege, e pode te curar sim, mas vê que não é preciso, pelo menos enquanto você tiver cartas na manga e coelhos na cartola. Te amo, comprida.
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