segunda-feira, 1 de junho de 2009

"Um cão caçando não pára para tirar as pulgas"


Sempre gostei de treinamento. Por isso, acredito em mentoria, coach, dinâmicas motivacionais e pedagógicas. Acho que coaduno com Alvin Toffler, conhecido profeta, um futurista que alardeou suas idéias sobre a importância do conhecimento, da ciência, da globalização e da sobrecarga da informação em seus best sellers "A Terceira Onda" e "Choque do Futuro" (acabei perdendo esses livros).

Toffler, se bem me lembro, escreveu que seres humanos deveriam ser treinados, formados para habilidades específicas, considerando necessidades, talvez mais que aptidões. Ok, tenho aptidão, vocação de sobra, sei lá, mas quero além.

Não sei mais como administrar tanta informação e possibilidades de conexões. Acho tudo isto fantástico, mas preciso de coaching (rs). Até fiz um cursinho on-line sobre gestão do tempo. Não se trata, no entanto, deste único viés. Preocupo-me com a saúde mental e melhor uso de meus neurônios, com a potencialização das palavras e de minha criatividade. Tô aceitando treinamento!

Disseram-me que preciso de foco. Acho que preciso de percepção também lateral. É o que chamam de lateralidade de raciocínio (rs). Tem horas que tudo fica quase escuro e eu me sinto a Alice no país das maravilhas: totalmente zonza! Só que essa é a hora em que mergulho de cabeça e busco a solução que preciso, enfrento, supero e crio...

Aprendi que nossa mente, diante de uma situação de ameaça à vida (seja do corpo ou da mente), limita drasticamente a gama e o volume de informações com as quais temos de lidar. Som, memória e entendimento social mais amplo são sacrificados em prol do aumento da consciência da ameaça que está a nossa frente. Assim bem me explicou Malcolm Gladwell, guru empresarial, obviamente inglês, meu atual autor de cabeceira.

Aí entendi algumas cenas de filmes. O jogador de tênis, por exemplo, no último set do jogo pára, foca e tudo ao redor fica mudo, em câmera lenta, quase parado, os batimentos cardíacos aceleram e o atleta centraliza sua energia para a defesa (ou ataque) para ganhar a partida. Por vezes, sinto-me assim na hora de produzir. Eu e, certamente, a maioria dos mortais (rs). Quando sob grande pressão, meu corpo e mente começam a se confundir, correndo o risco de se tornarem ineficientes.

Numa situação de ameaça intensa, batimentos cardíacos acima de 175 desencadeiam um pré-colapso do processamento cognitivo: a visão torna-se ainda mais restrita, o comportamento inadequadamente agressivo, capacidades motoras e complexas começam a falhar. Dizem que a parte anterior do cérebro se fecha e a intermediária assume o controle.

Não, não. É claro que não estou diante de um acidente de trânsito ou assalto à mão armada. Mas confesso que em minha mesa de trabalho, algo se assemelha (rs). Portanto, logo, contudo e todavia, é preciso treinar! Ensaiar a fim de evitar transtornos. Dizem também que "um cão caçando não pára para tirar pulgas". That's the point!

Acredito em foco. Mas não em mentes estreitas. Admiro treinamento e prática. Nunca sem desconsiderar nosso poder de cognição rápida. Nosso "blink"!

Sento aqui e o coração sofre porque bate, seja rápido demais ou devagar. Estou viva e sob adoráveis ameaças de minhas idéias. Preciso apenas de uma xícara de chá. O restante dará conta de si mesmo.

Um comentário:

  1. Eu me candidataria a seu coach, se tivesse cabedal para isso. Como não tenho, candidato-me a fã.

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