
Cresci ouvindo música, devo ter nascido ouvindo música e pode até ser que tenha sido concebida ao som de música... Anyway, não consigo viver sem ela.
Tudo por causa de um aparelho de som. Eu disse SOM.
Tudo porque decidi procurar um toca-discos, como o que eu tinha, presente de meu pai.
Ora, é simplesmente um toca-discos.
Depois de anos na seca musical, recuperei o amor-próprio e fui correr atrás do que há muito havia perdido: minha imensurável paixão pelos vinis.
Meu Gradiente, sem conserto, virou peça afetiva e muda.
Mas adorei este novo estado de corpo e alma, já tão esquecido e agora tão necessário.
Aos poucos, uma geração evangélica foi acumulando bom gosto, LPs e compactos, música anti-massificada, admiração por poetas e compositores raríssimos. E tudo ficou em nossa mente: Sergio Pimenta, João Alexandre, Guilherme Kerr Neto, Nelson Bomilcar, Sergio Leoto, Asaph Borba, Adhemar de Campos, Jorge Camargo, Gerson Ortega, Artur Mendes, Jairinho, Paulo César, Edson e Tita e os grupos Vencedores por Cristo, Som Maior, Elo, Logos, Semente, Prisma, Rebanhão, Quarteto Vida e, claro, o meu querido Grupo Seis.
Ah! Mas hoje eu podia ouvir tudo isto regravado em CD. Bad choice! A verdade destas músicas está também no som da agulha na bolacha preta e frágil. É incrivelmente diferente acessar o passado por meio de vinis.
No dia em que comprei a pick-up, assisti o Jô Soares entrevistando o cantor Lenini e ele apresentava seu novo trabalho: um disco de vinil e um disco de CD. E confirmei o que já havia aprendido. Ele dizia que o som de um vinil é incrivelmente superior ao som de um CD. E que esta nova geração desconhece este som de qualidade e se acostumou com o som tecnológico e simulado dos Ipods e 5.1 da vida. Sendo assim, meu 5.1 fica na sala e tem tecnologia. Meu toca-discos e componentes ficam no quarto de música e têm potência. Meus filhos estão aprendendo a diferença.
E assim como meu pai me ensinou a ouvir música, boa música, alta música, sempre música, eu repasso aos meus descendentes, que herdarão meus aparelhos e seus efeitos.
Recentemente, morri ouvindo música.
Sim, porque meus ossos se estraçalharam, o coração parou, a mente evaporou, o corpo se decompôs.
Morte feliz! Morri de música! (rs)
Morte feliz! Morri de música! (rs)
Tudo por causa de um aparelho de som. Eu disse SOM.
Tudo porque decidi procurar um toca-discos, como o que eu tinha, presente de meu pai.
Quase ninguém sabe o que é esta coisa. Vitrola, pick-up, turntable...
Ora, é simplesmente um toca-discos.
Depois de anos na seca musical, recuperei o amor-próprio e fui correr atrás do que há muito havia perdido: minha imensurável paixão pelos vinis.
Consegui!
Meu Gradiente, sem conserto, virou peça afetiva e muda.
Em seu lugar, ergui um BSR/CCE lindo, com três rotações, automático e bem conservado, insistentemente procurado pelas ruas do centro do Rio. Mas encontrado. E o SOM saiu!
Dali por diante, fui passando por uma metamorfose (rs). Troquei de pele, de pelo, de carne, ossos, sensações, risos, lembranças, essência... Fui morrendo aos poucos. E ainda nem sei em que me transformei. Se em borboleta, em sereia, em pudim.
Mas adorei este novo estado de corpo e alma, já tão esquecido e agora tão necessário.
Diante de mim, o amplificador Yang, duas caixas enoooooormes de som em madeira, centenas de discos espalhados pelo novo quarto que tornei meu canto sagrado, aonde a porta se fecha, o chão e as janelas vibram e eu escuto no mais alto volume tudo o que me mata e mais me faz reviver.
Após minha morte, precisei explicar aos meus filhos o que era aquela parafernália (rs).
Afinal, esta geração não consegue entender como uma agulha fica em cima de um disco que gira, como se muda de uma música para outra, o que é um lado B e lado C.
Lembrei de como certas expressões ficaram perdidas e incompreendidas no tempo, como "vira o disco". E ainda do quanto era chato ter que conviver com vinis arranhados, derretidos pelo calor, empinados. E quando a agulha pulava ou era preciso lavar os discos. E, claro, não se podia esbarrar ou sequer balançar a mesa em que ficava o som porque a agulha daria um pulo, no mínimo, ou o vinil ganharia um risco.
Tudo passado.
Não! Tudo presente em minha casa. E que presente!
Posso passar horas escolhendo faixas, revendo gente, analisando capas, consertando rasgos, feliz feito criança, boba no meio de tanta preciosidade. Eu me nutro disto. Faço desta paixão mais que um hobbie, faço meu ritual.
Melhor ainda é degustar os vinis de conteúdo cristão, produção árdua naquela época, quando um grupo ou solista conseguia gravar apenas um disco a cada ano (e olhe lá!). A gente ficava à espera. Sim, porque nos anos 70 e 80 ainda não havia mercado de música evangélica, a produção dos discos era caríssima e quase não existiam rádios evangélicas para divulgação. Ou seja, não dava para alguém viver exclusivamente de música. Corais, quartetos e solistas avulsos ocupavam a cena nas igrejas. No entanto, nesta época em que a música popular brasileira vivia um momento fértil com tantos talentos, grupos evangélicos foram se formando e desafiando o tradicionalismo rígido, que passou a dar lugar a estilos e melodias mais contemporâneas nos templos.
Aos poucos, uma geração evangélica foi acumulando bom gosto, LPs e compactos, música anti-massificada, admiração por poetas e compositores raríssimos. E tudo ficou em nossa mente: Sergio Pimenta, João Alexandre, Guilherme Kerr Neto, Nelson Bomilcar, Sergio Leoto, Asaph Borba, Adhemar de Campos, Jorge Camargo, Gerson Ortega, Artur Mendes, Jairinho, Paulo César, Edson e Tita e os grupos Vencedores por Cristo, Som Maior, Elo, Logos, Semente, Prisma, Rebanhão, Quarteto Vida e, claro, o meu querido Grupo Seis.
Ah! Mas hoje eu podia ouvir tudo isto regravado em CD. Bad choice! A verdade destas músicas está também no som da agulha na bolacha preta e frágil. É incrivelmente diferente acessar o passado por meio de vinis.
No dia em que comprei a pick-up, assisti o Jô Soares entrevistando o cantor Lenini e ele apresentava seu novo trabalho: um disco de vinil e um disco de CD. E confirmei o que já havia aprendido. Ele dizia que o som de um vinil é incrivelmente superior ao som de um CD. E que esta nova geração desconhece este som de qualidade e se acostumou com o som tecnológico e simulado dos Ipods e 5.1 da vida. Sendo assim, meu 5.1 fica na sala e tem tecnologia. Meu toca-discos e componentes ficam no quarto de música e têm potência. Meus filhos estão aprendendo a diferença.
E assim como meu pai me ensinou a ouvir música, boa música, alta música, sempre música, eu repasso aos meus descendentes, que herdarão meus aparelhos e seus efeitos.
Eu me lembro dele deitado na cama, quieto, embevecido, amortecido pelos sons que saiam de sua vitrola. Também ficava morto ao lado de seus vinis de 33, 45 e 78 rotações, todos que herdei. E tenho certeza de que tanto ele como eu bem sabemos que por meio desta nossa doce morte, conquistamos nossa fantástica vida.
Em tempo: Se você curte vinil e quer trocar, acrescentar e interagir sobre eles, esteja absolutamente à vontade!
Ele foi um dos maiores compositores da música cristã brasileira, se não o maior. Com mais de 500 músicas compostas, muitas ainda inéditas, consagrou-se como um dos principais autores do gênero. A voz, de timbre grave inconfundível, e o estilo de tocar, cheio de leveza e arte, eternizaram músicas inspiradas na Palavra de Deus e repletas de sensível poesia. Autor, compositor e poeta, ele tinha uma mente privilegiada e o coração sedento por comunhão com o Senhor e com o Evangelho que abraçou, testemunhou e divulgou. Assim foi Sérgio Pimenta. Há exatos 20 anos, em 1987, Sérgio partiu para a glória do Senhor, vítima de um câncer agressivo e fulminante. Tinha apenas 33 anos – mas nenhum outro músico cristão produziu legado tão extenso em tão pouco tempo de vida. (Fonte: Cristianismo Hoje)
Sergio Pimenta

Olá, Dona Martin... adorei seu texto, adorei seu Blog, adorei sua foto... adoro você!
ResponderExcluirLong Life!
Amiga, que bom que você virou blogueira e queira Deus encontre sempre tempo para atualizar porque sei que você é uma mulher de Deus de muuuuuuuuuuuuuitas tarefas, ainda tem o David e a Sara para cuidar. Fique sempre na Paz!!!
ResponderExcluirLúcia Rocha